Prefeitura de Barra de São Francisco orienta população no combate ao caramujo africano

20 de janeiro de 2023 às 13h38.

O período chuvoso facilita a proliferação do caramujo africano (Achatina fulica), por isso a Secretaria Municipal de Saúde, através da Vigilância Ambiental, e seguindo a determinação do prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos, orienta a população a combater e coletar, de forma segura, os focos desse molusco no município.

O aramujo africano é oriundo da África Oriental e não tem predador natural no Brasil. Ele se prolifera em ambientes quentes, úmidos e com sombra. Terrenos abandonados e quintais das residências são o habitat ideal para a reprodução desse bicho, que também pode ser encontrado em jardins e hortas, dificultando assim a eliminação da praga.

O caramujo africano libera em torno de 10 a 400 ovos de uma vez, além de transmitir doenças como a meningite eosinofílica e a estrongiloidíase, e a hepatite. A infecção ocorre principalmente quando há ingestão do muco que o caramujo libera.

A orientação é que o caramujo seja coletado por um adulto, protegendo as mãos com luva impermeável ou sacola plástica e utilizando calçado fechado para minimizar os riscos de contaminação. O molusco deve ser colocado em um galão ou outro recipiente e ser queimado. Essa é a orientação da coordenadora da Vigilância Ambiental de Barra de São Francisco, Patrícia Moura de Almeida.

Patrícia garante que o melhor é queimar o caramujo, pois se jogar sal o molusco pode liberar ovos no ambiente quando em contato com o produto. Outro ponto importante para a queimada do caramujo é evitar que a carcaça fique no local onde foi desidratado com o sal e a sua concha se torne acúmulo de água, criando risco de foco do mosquito transmissor da Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela Urbana.

 

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Como o caramujo africano pode ser encontrado em hortas, é muito importante que as hortaliças sejam bem lavadas para retirar e evitar a ingestão do muco liberado pelo molusco. Este material biológico pode estar contaminado pelo parasita Angiostrongylus, causador da meningite eosinofílica. A doença tem evolução benigna, com sintomas que podem durar de dias a meses como distúrbios visuais, dor de cabeça forte e persistente, febre alta, e sensação de formigamento, queimação e pressão na pele, rigidez na nuca.

Já a estrongiloidíase é causada pelo verme Strongyloides stercoralis, que pode penetrar na pele do ser humano, atingindo os pulmões, traqueia e epiglote, e migrar para o sistema digestivo, tornando-se parasita do intestino. Os sintomas mais comuns são tosse seca, dispneia ou broncoespasmo, edema pulmonar, diarreia, dor abdominal, podendo ser acompanhada por anorexia, náusea, vômitos e dor epigástrica. Em sua forma grave, a estrongiloidíase apresenta os mesmos sintomas e, raramente, hemoptise e angústia respiratória. Quando não tratada, pode levar à morte.

Perguntas Frequentes sobre caramujo africano

 

1. De onde vem os caramujos africanos?

 

O caracol conhecido como caramujo-gigante-africano, pertence a espécie – Achatina fulica – e se originou no leste africano. A partir dessa região, proliferou-se para diversas partes do planeta, inclusive o Brasil. Sua disseminação pelo mundo ocorreu por meio do transporte intercontinental de cargas e também de forma intencional em alguns locais, por meio de importações. No Brasil, os caramujos-gigantes-africanos foram importados por cooperativas do Paraná na década de 80 no intuito de comercializá-los como uma alternativa culinária em substituição ao escargot que é um molusco da espécie Helix aspersa maxima, muito apreciado na culinária francesa. Tais expectativas de mercado acabaram não se concretizando, levando ao abandono dessas criações, viabilizando sua proliferação para praticamente todo o território nacional.

2. Por que sempre encontramos os caramujos-gigantes-africanos em grandes quantidades?

Essa característica deve-se ao fato destes moluscos serem muito eficientes para sobreviver e se reproduzir. O fato de não terem predadores naturais, alia-se ao fato de crescerem relativamente rápido, pois são resistentes e capazes de consumir uma ampla gama de alimentos. Quando tem cerca de seis meses de idade se tornam hermafroditas, ou seja, desenvolvem órgãos reprodutivos femininos e masculinos. Algumas semanas após o acasalamento, cada caramujo pode depositar entre 10 e 400 ovos, dependendo das condições ambientais. Por causa dessas características, suas populações crescem de forma acelerada.

 

 3. Como faço para diferenciar o caramujo-gigante-africano nativos do Cerrado?

 

No Cerrado, existe um caracol com o porte semelhante ao do caramujo-gigante-africano denominado aruá-do-mato – Megalobulimus sp. Geralmente possuem a concha com um formato mais arredondado e em tons mais claros, enquanto o molusco africano possui concha mais alongada e tons mais castanhos. Outra característica notável é que enquanto os aruás-do-mato raramente apresentam-se em quantidade maior a um indivíduo na natureza, dificilmente você encontrará caramujos-africanos isolados.

 

4. O caramujo-gigante-africano é comestível?

 

Considerando que já foram catalogados indivíduos da espécie portadoras de parasitas capazes de trazer sérias complicações à saúde humana, não é recomendada a ingestão desses indivíduos, independentemente de sua forma de preparo.

 

5. Posso criar caramujos-gigantes-africanos como pet?

 

Dado o alto nível de proliferação destes moluscos exóticos no país, em 2005 foi editada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama a Instrução Normativa n.º 73, que proíbe a criação e comercialização dos caramujos-gigantes-africanos e de seus ovos. Dessa forma, não é permitido o manuseio da espécie seja para quaisquer fins.

 

6. O caramujo-gigante-africano transmite doenças? Quais?

 

Os caramujos-gigantes-africanos são hospedeiros intermediários de larvas de nematódeos responsáveis pela transmissão de duas doenças: a angiostrongilíase abdominal e a meningoencefalite eosinofílica. O fato destes moluscos serem hospedeiros, não quer dizer que todos estejam infectados. Independentemente disso, é de suma importância que sempre que haja a necessidade de fazer o manejo desses indivíduos em sua residência, que sejam adotados todos os cuidados para evitar o contato direto com o animal.

 

7. Posso eliminar os caramujos-gigantes-africanos em minha propriedade jogando sal neles? E colocá-los em sacos de lixo reforçados e jogar no lixo comum?

 

Não é recomendada a eliminação destes e de outros moluscos por meio da utilização de sal. Além dessa prática não ser eficiente o bastante para eliminar os caramujos, há grandes chances dela salinizar os solos e contaminar os lençóis freáticos, caso seja amplamente difundida. Ademais, tal prática não garante a destruição da concha e nem dos ovos. Vale lembrar que as conchas vazias podem servir como reservatórios de água que servem como criadouro para o mosquito da dengue.

Acondicioná-los em sacos de lixos comuns ou reforçados estaria transferindo o problema do seu lote para outro local ou região, considerando que provavelmente esse saco se romperá dentro do caminhão de lixo, no aterro sanitário ou até mesmo na rua aguardando a coleta, considerando que os caramujos conseguem romper facilmente esse tipo de invólucro.

 

8. Qual a melhor estratégia para eliminação dos caramujos-gigantes-africanos que aparecem em meu quintal/terreno/propriedade rural?

 

A catação manual dos caramujos-africanos e seus ovos é a melhor forma de eliminação dessa espécie. Em diversos casos onde a catação manual foi realizada periodicamente durante a época chuvosa, implicou em um número bastante reduzido destes indivíduos e seus ovos na estação chuvosa subsequente.

A seguir citaremos o passo-a-passo a adotado para o manejo adequado e seguro dos caramujos-africanos e ovos em seu quintal e a melhor disposição final.

Use luvas descartáveis ou um saco plástico para proteger as mãos;

Recolha os caramujos-africanos do chão, plantas, troncos, paredes, etc. e coloque dentro de um recipiente que será utilizado somente para esse fim. Atente-se para recolher também os caramujos-gigantes-africanos pequenos e principalmente seus ovos que encontram-se semi-enterrados na terra úmida e em meio a vegetação;

Encha o recipiente com 3 partes de água para 1 de água sanitária e deixe coberto por 12 horas;

Descarte o líquido do recipiente e macere os caramujos com suas conchas e seus ovos. Relembrando a importância de certificar-se da quebra das conchas considerando a possibilidade de servirem de reservatório para proliferação do mosquito da dengue. Para realizar a maceração, pode ser utilizado um pedaço de madeira ou qualquer outro instrumento similar;

Enterre todo o conteúdo do recipiente em uma cova rasa, de preferência depositando uma pá de cal ao fundo, para evitar contaminação do solo e do lençol freático.

 

 9. Posso tocar sem luvas no visco deixado pelos caramujos-africanos no chão e nas paredes?

 

Em áreas onde existem caramujos-africanos, estes costumam deixar rastros de muco pelo caminho percorrem. Deve-se evitar entrar em contato com esse visco com as mãos nuas estendendo-se o cuidado principalmente a crianças que costumam levar a mãos aos olhos e boca após brincarem nesses locais.

10. Existe algum risco para o meu animal de estimação (cão/gato) ao se alimentar de caramujos-africanos?

 

Os moluscos, em geral, que habitam áreas residenciais podem portar parasitas que fazem mal a cães e gatos domésticos principalmente, se estes animais tiverem o hábito de comer esses indivíduos com frequência. Portanto, aconselha-se a coleta manual e destinação apontadas no item 8.

Caramujo-gigante-africano: transmissor de doenças

 

O caramujo-gigante-africano, Achatina fulica, é um molusco oriundo da África. Ele também é chamado de acatina, caracol-africano, caracol-gigante, caracol-gigante-africano, caramujo-gigante, caramujo-gigante-africano ou rainha-da-África.

Esse animal pode pesar 200 gramas, e medir cerca de 10 centímetros de comprimento e 20 de altura. Sua concha é escura, com manchas claras, alongada e cônica. Além disso, sua borda é cortante. Foi introduzido ilegalmente em nosso país na década de 80, no Paraná, com o intuito de substituir o escargot, uma vez que sua massa é maior que a destes animais. Levado para outras regiões do Brasil, tal espécie acabou não sendo bem-aceita entre os consumidores, e também proibida pelo IBAMA, fazendo com que muitos donos de criadouros, displicentemente, liberassem seus representantes na natureza, sem tomar as devidas providências.

Sem predadores naturais, tal fator, aliado à resistência e excelente capacidade de procriação desse animal, permitiram com que esse caramujo se adaptasse bem a diversos ambientes, sendo hoje encontrado em 23 estados. Só para se ter uma ideia, em um único ano, o mesmo indivíduo é capaz de dar origem a aproximadamente 300 crias.

Além de destruírem plantas nativas e cultivadas, alimentando-se vorazmente de qualquer tipo de vegetação, e competir com espécies nativas – inclusive alimentando-se de outros caramujos; tais animais são hospedeiros de duas espécies de vermes capazes de provocar doenças sérias. Felizmente, não foram registrados casos em que essa doença, em nosso país, tenha sido transmitida pelo caramujo-gigante.

 

São elas:

 

- Angiostrongylus costaricensis: responsável pela angiostrongilose abdominal, doença que provoca perfuração intestinal, de sintomas semelhantes aos da apendicite;

- Angiostrongylus cantonensis: responsável pela angiostrongilíase meningoencefálica, de sintomas variáveis, mas muitas vezes fatal.

Tanto uma quanto outra ocorrem pela ingestão do parasita, seja pelo manuseio dos caramujos, ou ingestão destes animais sem prévio cozimento, ou de alimentos contaminados por seu muco, como hortaliças e verduras. Assim, é importante o uso de luvas ou sacolas de plástico ao manipular os caramujos, cozer antes se comer a sua carne, e desinfeccionar itens alimentares, lavando-os e deixando-os de molho de quinze minutos a meia hora, em aproximadamente uma colher de água sanitária para um litro de água.

Quanto ao controle desse molusco, indica-se a catação manual dos indivíduos e de seus ovos, colocando-os em dois sacos plásticos, com a posterior quebra de suas conchas antes de eliminá-los. Isso porque tais estruturas podem acumular água, sendo um criadouro em potencial para os ovos do Aedes aegypti. Depois, recomenda-se a aplicação de cal virgem sobre os caramujos quebrados, e o posterior enterramento, em local longe de lençóis freáticos, cisternas ou poços artesianos.

 

 

 

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